Modificando a minha já tradicional "fórmula" no que aos títulos diz respeito, senti necessidade de me exprimir, quase a roçar o âmbito da filosofia, a propósito das minhas posições políticas. Este será o primeiro de vários textos (dois ou três), onde explicitarei precisamente essas posições e, acima de posições, as minhas opções. Sim, porque de opções se tratam. Não é apenas decidir colocar a cruzinha uma vez de quatro em quatro anos, é decidir como viver - é escolher um modo de vida, de agir, de pensar, de ser social. Porque, se antes de qualquer coisa, eu não transponho a minha forma de viver para o meu eu político, sou apenas um hipócrita irresponsável.
Assim, antes de saber quem sou na política, tenho que saber quem sou, ponto. Como ajo. O que faço no meu dia-a-dia para contribuir para a realização da minha visão de um mundo melhor. Em descobrindo isso - e creio já ter descoberto -, posso, então, passar para a política. Não digo passar para a política lendo e estudando tudo de cada partido - não ainda, pelo menos -; digo, isso sim, posicionar-me a um nível, não ideológico (que tal, estou em crer, demora anos e anos a formar-se e é simplesmente estúpido ou ignorante afirmar aos 20 anos que sei qual a minha ideologia), mas de ideias. Isto é, que ideias que pululam no mundo todo, neste vasto mundo, é que me agradam? Que ideias adoptar como minhas, modificando-as e dando pequenos toques para que, pela minha pessoa, fiquem perfeitas?
Descobre-se essas ideias e pode-se, então, passar para a política mais a sério. Aí sim, no contexto de um determinado país, estudar os seus partidos e conhecê-los, sem excepção - às vezes são nos pequenos que residem as grandes surpresas. E, se não houver um partido, que tal criar-se um? Porque não? Medo do insucesso? Porquê? Pela minha parte, é sabido o sítio onde encontrei lugar para as minhas ideias. Encontrei-as no Partido Ecologista "Os Verdes". Mas não é para justificar a minha adesão a este partido que escrevo estes textos. É para mostrar a forma como pensei e para garantir, dando o exemplo, que não é difícil - de todo! - pensar politicamente. E isso começa, precisamente, pela selecção de ideias.
A primeira coisa que me veio à cabeça quando me comecei a procurar e a sondar, foi que tenho um respeito enorme pelo ambiente e queria um partido que isso representasse. Creio que, sem ambiente, não pode haver Homem que se aguente, por isso, respeitar o nosso ambiente porque é o ambiente a nossa casa.
Pondo de lado as frases feitas, esta minha descoberta levantou-me, desde logo, umas quantas questões. Umas que se perderam e se foram da memória, uma que dará lugar a todo um outro texto e ainda outra, que é a que se apresenta no título: Ecologia ou Ambientalismo?
Começo, desde já, por querer fazer uma distinção entre o que eu considero ser uma e ser a outra. Recorrerei a exemplos mais práticos para ilustrar esse meu ponto de vista, mas reitero que não passa disso: de um ponto de vista.
Entendo, então, por Ecologia, aquilo que ela é verdadeiramente, na génese da sua designação: a ciência de bem cuidar da nossa casa. Então, que quer isto dizer, no fundo? Tal como com uma casa, também o Mundo, casa de todos nós (lamento a utilização de lugares comuns, mas tem que ser para conseguir ilustrar o meu ponto de vista de forma decente), precisa de ser cuidado, reparado, e onde é preciso fazer o que é preciso ser feito. Um Ecologista é aquele que defende a Ecologia como a forma mais eficaz, acima de qualquer outra ciência, de preservar e fazer a manutenção cuidada e planeada da nossa casa, tendo como ponto de partida a conjugação do bem-estar dos seus habitantes e a sustentação das estruturas da casa. Assim, da mesma forma que é necessário limpar uma casa, a Ecologia advoga a limpeza do planeta; da mesma forma que é preciso, por vezes, mandar uma parede abaixo, mas não de forma a danificar a estrutura da casa, a Ecologia opõe-se às modificações desenfreadas e sem qualquer cuidado.
Já o Ambientalismo, considero-o como uma espécie de Ecologia conservadora. Ou seja, se, por um lado, a Ecologia procura o desenvolvimento paralelo de todas as espécies em harmonia com o desenvolvimento humano controlado, o Ambientalismo sobrepõe a importância do ambiente à importância do ser humano. Assim, o Ambientalismo advoga a permanência do ambiente tal como deveria estar, intocável e no seu estado mais primitivo, com o mínimo possível de alterações ou controle do Homem. O Ambientalismo quer dar tanta importância ao ambiente e aos outros animais como ao Homem.
Ora, no título deste texto, já disse o que sou: sou Ecologista. A minha justificação é simples, embora tenha sido complicado chegar até ela. Tive que comparar ambos muito bem, chegar a um ponto tal, que eu não conseguiria argumentar o contrário a mim próprio se o quisesse. Basicamente, então, sou Ecologista porque é intrínseco ao meu sistema de crenças e valores que o Homem tem poder. Não num sentido necessariamente negativo - embora também tenha o seu lado negro. Creio que, da mesma forma que o Homem já fez muito mal ao planeta, tem as condições para fazer muito bem, e, em simultâneo, não deixar de se desenvolver. Cabe ao Homem repor todas as árvores que abateu cegamente; mas cabe também ao Homem abater o que precisa de ser abatido para o bem-estar das espécies da região, incluindo, mas não exclusivamente, ele próprio. O Homem tem o dever de conciliar, pela sua inteligência e racionalidade, o bem-estar das espécies, controlando o ambiente e agindo de forma a sustentar o seu desenvolvimento.
Pelo meu ponto de vista, o Homem não pode deixar a natureza e o ambiente desenvolverem-se de forma desenfreada, e tampouco intervir de acordo a restaurar um equilíbrio que se poderia tornar perigoso para as espécies. Não deve, também, e com o conhecimento que actualmente se tem, ter acções destrutivas para com o meio ambiente e, regressando à metáfora realista da casa, limpá-la e manuseá-la com muito cuidado, para nunca vir abaixo.
Pelo contrário, os Ambientalistas o que querem, no fundo, fazer é pegar num singelo T1 e construir um castelo à sua volta para que fique sempre imaculado. O Ambientalista é aquele que faz propostas no sentido de que tudo volte ao seu estado primitivo, sem pensar nas adaptações que se fizeram entretanto. Um Ambientalista é o que quer destruir o trabalho do Ecologista através de acções tão irresponsáveis como as de alguém que corta uma floresta inteira. O Ambientalista é um extremista. Leva o ambiente como um deus e em que nós, os Homens, não somos nada mais que meros peões da Mãe-Natureza.
Mas não é verdade. O Homem evoluiu de acordo a adaptar-se a qualquer circunstância, através de um pensamento rápido e de um raciocínio lógico incomparáveis a outro ser. O Homem é o único culpado pelo deitar abaixo da parede errada. Mas o prédio ainda não desabou. O Homem não tem que construir um castelo à sua volta e recostar-se a contemplar - tem apenas que construir a parede e, com isso, deitar abaixo a certa e começar uma correcta manutenção. É isto a Ecologia: fazer o que deve ser feito, com base no que se fez antes e a pensar num futuro melhor.
É por isto que sou Ecologista.